Hoje lia uma notícia em algum veículo noticioso na internet (que não me recordo direito) sobre um possível pacto eleitoral entre PSol e PV em torno das eleições presidenciais do próximo ano. E, com um delay de algumas horas, me veio a cabeça algumas idéias que já haviam passado por ela há alguns meses: a capacidade que algumas pessoas tem de pautar a agenda política. E, citando o exemplo de Marina, como ela conseguiu reinserir a pauta ambiental como central nas disputas eleitorais para o próximo ano, reduzindo a fama do PV de “ecochato” para “defensor do desenvolvimento sistentável”.Não vou entrar no mérito de analisar o PV em si (até porque sua localização no espectro político brasileiro é bastante questionável), e nem analisar essa possível aliança PV-PSOL. O que acho de mais importante nesse fenômeno é a estratégia (muito bem pensada) de Marina para fazer que a sua bandeira política ganhasse centralidade.
Troca-troca de partidos acontece a toda hora, a todo momento. Mas não é qualquer político que consegue fazer disso um fato político. E não é qualquer político que tem capital político suficiente para fazer que isso ocorra. Há alguns meses, Marina deixava o Ministério do Meio-Ambiente, com a publicação de uma carta amplamente divulgada pela mídia e que fazia fortes críticas ao modelo de desenvolvimento (segundo ela ambientalmente insustentável) do atual governo, e criticando o pouco espaço da pauta ambiental na esquerda brasileira.
Pouco tempo depois, a saída do PT e a ida para o PV. Nova comoção em torno de Marina e que capitalizou, inteligentemente, para a sua principal pauta. E que levou a uma movimentação não só dos demais presidenciáveis, mas também da própria imprensa. Muitos já perceberam a maior constancia que Dilma discute o assunto, ou mesmo a maior quantidade de reportagens sobre assuntos vinculados a mudanças climáticas e causas ambientais que tem sido veiculadas pela grande imprensa. O que antes, certamente, seriam notas, agora ganham matérias inteiras.
É lógico que o atual estado de degradação do planeta é um ponto importante para localizarmos a centralidade da pauta. Mas, em se tratando dos últimos meses, arriscaria dizer que não estamos passando pelo efeito Kyoto ou Copenhage... esse é o efeito Marina.
Leitura Linkada:
Recomendo leitura de entrevista que Marina Silva concedeu à Revista Caros Amigos e que foi publicada na edição de julho de 2009. Um trecho pode ser acessado pelo link: http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&id=128&iditens=215
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